Crítica: Wolverine Imortal

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O novo filme do herói animalesco é infinitamente melhor que o primeiro filme solo do mesmo, mas ainda não é o filme que o Wolverine merece.

O filme começa com um sonho dentro do sonho (momento Nolan) que mostra duas coisas que vão tangenciar o filme inteiro: os flashbacks em Nagasaki ( responsável pela viagem do herói para o Japão) e os sonhos com a Jean Grey. Depois descobrimos que o herói está vivendo como salvador da natureza para acalentar seu sofrimento, até resolver voltar ao Japão para se despedir de um amigo.

Esse amigo pede que Wolverine abra mão de sua imortalidade para que ele possa viver mais. O herói recusa, mesmo com todo o seu sofrimento, e todo o filme gira, de certa maneira, em torno das consequências dessa decisão.

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A imortalidade do herói é um dos erros do filme, mesmo que siga de maneira correta a construção do herói no cinema. O problema é que a construção do personagem começou errada. Nos quadrinhos, o poder do herói é finito e sua principal briga é com o seu lado animalesco e descontrolado.

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A HQ que dá origem ao novo filme é uma das melhores do herói e exemplifica essa briga de maneira perfeita, contrastando com o amor por Mariko, que é bem construído no filme, e com os costumes japoneses. Nos filmes, a principal maldição do herói é sua imortalidade e isso foge muito dos quadrinhos.

Em relação ao filme, a historia é bem construída, mesmo fugindo da fonte (na HQ, o herói já conhece a Mariko, por exemplo). Falando nisso, o amor dos dois é construído com tanta calma que o meio nem parece ser de um filme de super- herói.

E isso é muito interessante. O roteiro de Mark Bomback e Scott Frank é mais preocupado em criar as relações entre os personagens do que em criar cenas de ação mirabolantes. Além disso, eles também usam o filme para “criticar” um certo contraste entre o Japão tradicional e o capitalista, sem que isso pareça deslocado.

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Todas essas decisões são apoiadas e bem utilizadas pelo diretor. James Mangold consegue trazer um novo ar para a história e revitalizar a franquia. A direção usa bons ângulos e algumas técnicas apuradas para contar a história e retratar fielmente o Japão. Como em quase todos os filmes de super-herói, as cenas de ação são empolgantes e muito interessantes.

As atuações não merecem tanto destaque. Hugh Jackman é um ótimo ator e o herói é o seu personagem menos interessante. Com uma construção de roteiro mais cuidadosa, Hugh consegue trabalhar com um material mais denso e complexo, melhorando o seu nível de interpretação. O restante do elenco, composto quase só por japoneses, faz um bom trabalho, mas não impressiona em nenhum momento.

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Um filme diferente e que respeita o Wolverine criado para o cinema e a cultura japonesa (os diálogos entre os orientais são falados em japonês, evitando aquele inglês ruim dos atores estrangeiros). Não chega a ser um filme surpreendente ou sensacional, mas funciona muito bem e merece ser assistido.

OBS 1: Aquela cena no poço, onde o Wolverine fica todo queimado e se regenera em segundos, foge muito dos quadrinhos originais. Entretanto é bem parecida com alguns desenhos mais recentes do herói.

OBS 2: Abri uma observação para falar sobre algumas mudanças feitas no filme em relação aos quadrinhos originais, esperando que essas mudança não atrapalhassem na avaliação do filme em si. Além do fato da Mariko não ser conhecida pelo herói antes da viagem e do roteiro ter retirado a briga entre este e seu lado animal para que ele fosse aceitado pela familia dela como um pretendente válido, eu me incomodei muito com a transformação do Samurai de Prata em robô. Na história original, o vilão é um mutante, meio irmão de Mariko, que já trabalhou com a Víbora.

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