Diário Vermelho: Dia 1

Querido diário (e leitores), você deve ter percebido que a quantidade de criticas caiu bruscamente nas últimas duas semanas por conta do enterro do meu notebook. Para minha sorte, a minha sala recebeu, naquele mesmo dia, uma TV Smart novinha e, graças a um nobre amigo que está me devendo uma critica de um certo filme dos Cavaleiros do Zodíaco, eu pude utilizar um aplicativo inovador com uma logo vermelha e branca e uma vastidão de filmes, séries, shows… Você já deve saber quem é, mas para garantir vou dizer em voz alta uma única vez: NETFLIX.

Não vou ficar repetindo o nome, porque não recebo para isso, mas não posso deixar de elogiar o formato utilizado e a qualidade do seu cardápio de atrações – mesmo sendo bem inferior ao americano. Já fiz várias listas de filmes e séries enquanto mato meus vícios nesse período “descomputadorizado”. A questão é que eu decidi investir em uma nova coluna quinzenal, onde vou falar de maneira mais breve (mesmo optando por fazer criticas completas em alguns casos) sobre algumas coisas legais que encontrei na Netflix. Desculpe, tive que falar de novo.

# Better Call Saul

Breaking Bad é, na minha modesta opinião, a melhor série de todos os tempos e eu comecei a ver as aventuras de Jimmy McGill antes de ter acesso a Netflix, entretanto decidi iniciar a coluna com ela porque esse foi meu pontapé inicial e a desculpa para conseguir a senha alheia enquanto não faço minha própria (previsão: mês de abril).

Ainda bem que pude assistir os três últimos episódios pela TV (devo dizer que está cada vez mais desnecessário fazer download de séries, graças a velocidade com que os canais estão exibindo seus shows por aqui) e perceber o quanto eu perdia ao assistir pelo notebook de 15 polegadas. No fim das contas é uma série perfeita para os fãs de Walter White e sua trupe, mas que funciona sozinha como um programa jurídico, um drama pesado e até uma boa comédia. Bom roteiro, direção apurada, atuações dignas de prêmios e uma fotografia belíssima – assim como na sua antecessora – marcam Better Call Saul e garantem  que ele possa ser vista por todos.

# Derek

Essa é uma série britânica com duração e roupagem de comédia, mas que realmente acerta quando investe no drama. O programa criado, roteirizado, dirigido e protagonizado pelo genial Ricky Gervais conta a história de Derek, um cinquentão que só vê o lado bom das coisas, enquanto trabalha em um asilo.

Filmado como se fosse um documentário, Derek é um show redondo que, mesmo tendo sua grande arma na utilização do drama de maneira sensível e sóbria, também aposta em piadas sutis (como todo programa da terra da rainha) e em momentos de humor mais escatológico e físico de maneira acertada e pontual. Ricky Gervais conseguiu criar personagens cativantes e uma história divertida e bonita, além de se transformar brilhantemente na interpretação do doce protagonista.

Um outro ponto positivo – dependendo do ponto de vista – é que o programa foi encerrado na TV no ano passado e teve seu último e especial episódio lançado, via streaming, no dia 3 de abril. Ou seja, é só separar um tempinho e assistir os curtos 14 episódios e ficar com um gostinho de felicidade e quero mais.

# Bojack Horseman

Como ainda não tenho o tempo para as grandes séries próprias da casa, decidi começar a trajetória nos produtos com o selo Netflix (descontando o primeiro episódio de Marco Polo exibido na CCXP) por essa animação curtinha. E realmente fiquei feliz por não me decepcionar com ma série extremamente adulta, non-sense e ácida, principalmente quando trata do cenário artístico de Hollywood.

Cheia de participações especiais (fique ligado nos créditos), referências criativas e criticas ao mundo vazio das celebridades, Bojack Horseman é um prato cheio para quem curte esse mundo e as animações do estilo Adult Swin. De boa, assista, mas vá de mente aberta, sem preocupação com zoofilia, palavrões, drogas e sangue.

# Psicopata Americano

Sempre ouvi muita gente falar desse filme, mas, como grande fã de Christian Bale, devo admitir que esperava um pouco mais desse longa que conta a vida de um sujeito rico e narcisista que convive com seu instinto assassino, suas loucuras e sua falta de sentimentos.

É um filme rápido, bem dirigido, recheado de cenas clássicas (melhor morte com moto serra desde aquele massacre famoso nos anos 70) e com um show de Bale, entretanto tem algo, principalmente no terceiro ato, que me pareceu brusco e me incomodou bastante. Para um filme que cria cenas de tensão sem usar as típicas trilhas de suspense, achei a reviravolta bem brusca e mal desenvolvida. Funciona e é aceitável, mas ainda achei o ponto de virada um tanto quanto fora do ponto. Não tira os outros méritos do filme, mas eu esperava mais.

# Segurando as Pontas

Único filme dessa lista que eu já tinha assistido e isso não me incomodou porque eu continuo rindo e me divertindo imensamente com o primeiro longa de bromance entre Seth Rogen e James Franco. Assim como Anjos da Lei, esse tem o formato básico de comédia romântica sendo utilizada pelos amigos, mas o diferencial é que aqui tudo é mais visceral.

Regrado a muita maconha, Segurando as Pontas cria uma das melhores duplas de comédia da atualidade em um filme bem dirigido, recheado de ação e bem mais violento do que aparentava ser. Não tem tantas piadas inteligentes e criticas, mas o longa sabe controlar bem os tiroteios e as perseguições de carro com os momentos mais escatológicos e idiotas. Não é um puta filme, mas eu recomendo.

# Cloverfield – Monstro

Dirigido por Matt Reeves (Planeta dos Macacos – O Confronto) e produzido por J.J Abrams, esse é o longa que reinaugurou a onda de produções que usam e abusam da estética do found footage. E, diferentemente da maioria das outras produções, eu acho que Matt realmente soube usar essa técnica, se apoiando na trepidação, na falta de luz, no movimento do personagem por trás da câmera e nos truques de edição para criar boas cenas de tensão e até um pouquinho de sustos, enquanto mostra o monstro aos poucos.

Com um roteiro simples e sem muitas explicações sendo necessárias, Cloverfield se apoia na sua técnica e na direção para ser um filme divertido e surpreender o espectador. Infelizmente, ele perde um pouco do efeito – acredito eu – após essa enxurrada de filmes do mesmo tipo que copia e reutiliza todos os truques, entretanto ainda recomendo o filme.

Termino dizendo que vou assinar a Netflix (merda…) para valorizar um serviço interessante e recomendo (mesmo sem receber nada) que você faça o mesmo, já que só assim poderá usufruir das dicas colocadas nessa coluna. Lembrando que apesar da qualidade da TV ser coisa de outro mundo, você poderá acessar todo o conteúdo do seu computador, tablet ou celular sem ter que reiniciar episódio nem nada. Boa sorte e bem vindo ao novo mundo.

Um pensamento sobre “Diário Vermelho: Dia 1

  1. […] adaptação do livro é feita por Drew Goddard, que já trabalhou com várias metáforas do tipo em Cloverfield e Guerra Mundial Z, faz uma adaptação muita boa (segundo quem já leu o livro), constrói o filme […]

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