Crítica: A Garota Dinamarquesa

Belo, amável e necessário

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Com a crescente onda de movimentos LGBT pelo mundo e em contrapartida a agressões tanto físicas e verbais contra os homossexuais, A Garota Dinamarquesa (The Danish Girl no original) faz-se um filme necessário, senão obrigatório na nossa sociedade.

A trama se passa em Copenhague na década de 20, quando um aspirante a pintor chamado Einar Wegener (Eddie Redmayne) substitui uma modelo que iria posar para sua esposa Gerda (Alicia Vikander), que tenta fazer com  que suas obras sejam reconhecidas há um longo tempo. Desde então nasce Lily Elbe, a tal garota dinamarquesa que dá nome ao filme.

Lili é a face escondida de Einar, cheia de doçura e simpatia, por quem nos apaixonamos logo de cara, acompanhando sua descoberta, torcendo e sendo guiados por ela na trama. A cada desafio que Lilly encontra nas ruas de Copenhague e também nas de Paris, nossos olhos se enchem de entusiasmo e ficam maravilhados. Aqui Eddie Redmayne surge impecável em uma atuação que vale sua indicação ao Oscar só pelo olhar cheio de desejos e fraquezas da personagem.

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No entanto, Alicia Vinkader é a grata surpresa do filme. Estrela em ascensão (quem viu Ex-Machina sabe), a atriz vem fazendo ótimo filmes e se destacando em todos, mesmo quando não são tão bons (sim, Agente da U.N.C.L.E), e merece a indicação da Academia porque rouba a cena. Ela, a esposa de Einar/Lili, leva tudo como uma grande brincadeira no começo, mas percebe que o marido está se descobrindo de fato e acompanhamos o drama a parte de Gerda, contido no desespero de perder o marido. Assim, o espectador fica preso a trama, em dúvida se torce para o fim da descoberta de Einar como Lili ou se senti muito por Gerda.

Aí vem a verdadeira questão: porque escolher um lado? E seja qual for esse lado, porque julgar o outro pela escolha? Porque não deixar o outro ser feliz? O filme nos questiona e vemos no comportamento de Gerda que o amor que ela sente pelo marido está acima de qualquer coisa.

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No segundo para o terceiro ato, o filme se estende demais e há uma queda na história, dirigida por Tom Hooper e escrita por Lucinda Coxon, sem que isso se reflita nas atuações de Eddie e Alicia que brilham em cena, enquanto elenco de apoio está lá só de escada para o casal. A fotografia de Dany Cohen é algo a ressaltar, sendo escura quando necessário e cheia de cores nos melhores momentos do filme.

Quando Lili decide se tornar mulher, o que ela sempre foi, temos o nosso final digno e emocionante, que honra o romance de David Ebershoff e conta com maestria a história de Lili Elbe, uma das primeiras pessoas a se submeter a cirurgia de mudança de gênero. Enfim, terminamos completos como ela.

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