Crítica: The Lobster

A inocência em meio a decadência

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Nos tempos atuais onde tudo é permitido e nada parece errado, a humanidade se tornou mais tolerante ou conformista em meio a certas “loucuras”. Loucura que se reflete na premissa de The Lobster e seu enredo completamente insano: num futuro próximo, uma lei proíbe que as pessoas fiquem solteiras e as que estão nessa condição são enviadas a um hotel, onde passarão 45 dias para arrumar um par (homem ou mulher). Caso não consigam, irão se transformar em um animal de sua preferência.

David (Colin Farrell), o protagonista, deseja ser a tal “lagosta” do título e representa a inocência do longa. O ator vem fazendo bons trabalhos recentes (vulgo True Detective) e esse personagem está longe de muitos outros ruins de outrora. Confesso que não gostava dele, mas a calma e atuação contida que mostra nesse filme estão excelentes. Falo com afinco de Farrell, porque nós vemos a loucura desse mundo através dos olhos dele e curiosamente ele é o único personagem do filme que tem o nome citado/falado, enquanto os outros são apenas  marionetes nessa insanidade.

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A superficialidade e falta de amor com o que tudo é mostrado causa choque no começo, mas daí vemos que o mundo de hoje é assim. Há uma cena em particular em que é mostrado como seria a vida de pessoas solteiras e casadas e como se comportar em ambas as situações que consegue ser cômica e reflexiva ao mesmo tempo.

A película tem um primeiro ato excelente, mas perde força após uma reviravolta, quando David passa por um problema (em uma cena de cortar o coração pra quem gosta de animais) e acaba fugindo do hotel. Lá ele encontra uma comunidade de pessoas que fugiram do hotel ou não aceitam a lei, sendo que as mesmas também não podem se relacionar. Há uma outra cena cômica envolvendo Rachel Weisz (batizada apenas como “a mulher que enxerga mal”) que é hilária e várias outras do mesmo tipo ocorrem envolvendo David e um elenco de apoio que faz um trabalho competente, incluindo John C. Reilly, Ben Whishaw, Angeliki Papoulia e Léa Seydoux (que poderia ser melhor aproveitada).

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A personagem de Rachel  dá um gás ao filme, que volta ao ritmo excelente em sua parte final, e nos traz de volta a inocência de ambos os personagens,  em meio a decadência desse mundo. A esperança de uma vida diferente não deixa de existir até os minutos finais, quando o diretor e roteirista grego Yorgos Lanthimos nos prestigia com um final incrível que eu poderia aplaudir em pé.

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