Séries: Galavant (2ª Temporada)

Quando a zueira ressuscita até os mortos

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A roda dos cancelamentos das séries americanas é impiedosa com aquelas que não possuem público suficiente para se auto-sustentar. No entanto, uma vez ou outra, a zueira é tão grande que ressuscita até quem já era considerado morto e enterrado pelos índices de audiência.

Foi exatamente isso que aconteceu com Galavant, que surpreendentemente apareceu nos meus aplicativos – após ser cancelada com todas as letras pelo canal – para dar continuidade à saga épica mais surtada de todos os períodos históricos. Para isso, continuamos seguindo nosso herói em sua jornada para resgatar sua amada Isabella do casamento com seu primo de 11 anos, enquanto é acompanhado de perto por Richard, o ex-rei e agora melhor amigo de Galavant.

O desenvolvimento da série é confuso desse mesmo jeito, principalmente se levarmos em conta a grande quantidade de personagens completamente rasos e as subtramas completamente irrelevantes, como a do chef de cozinha e sua amada que não se acostumou com a riqueza. Entretanto, isso pode ser facilmente perdoado, porque toda a força do argumento de Dan Fogelman (Amor à Toda Prova) está justamente em um estilo de humor improvável e totalmente fora da caixinha.

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Então é bom estar preparado para muitos diálogos rápidos, momentos politicamente incorretos, metalinguagem elevada ao quadrado e outras situações que fazer rir exatamente por não fazer nenhum sentido. É um tipo de humor que se divide entre o bobo, o auto-referente e o superinteligente, lembrando muito as esquetes do Monty Python e não poupando ninguém. Por isso, não se espante se Galavant fizer piadas com seus próprios autores, com o fato da renovação ser milagrosa, com a falta de dinheiro para contratar participações especiais famosas e com Game of Thrones, que é sem dúvida o seu alvo preferido.

E para melhorar tudo isso, Galavant é uma série musical que sabe usar as canções para desenvolver as histórias e dar continuidade a maior parte das piadas, conquistando até quem não curte esse tipo de produção, tipo eu. As músicas, que são brilhantemente escritas e compostas por Alan Menken (que só fez Aladdin e A Bela e a Fera) e Christopher Lennertz são animadas, divertidas, gravadas ao vivo e uma parte necessária para o show, já que a cada número comprovam não estão lá só por estar.

Dentro desse caldeirão de referências e piadas loucas, a direção consegue alguns momentos de destaque com a boa ambientação e uma participação decisiva nas piadas visuais, enquanto o elenco funciona muito bem individualmente e em conjunto, com destaque para o protagonista Joshua Sasse, a sempre linda Mallory Jansen e a surpreendente dupla formada por Timothy Omundson e Vinnie Jones, que mesmo separados tem os melhores arcos da temporada.

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Esse conjunto completamente apoiado em um humor que não tem nenhum limite é o que faz Galavant ser tão genial. Não é uma série perfeita, mas é extremamente divertida, surpreendente e fora do que costuma ser feito na televisão americana. Um programa divertido que, infelizmente, deve parar nos seus 18 episódios de 20 minutos cada, se a zueira não mostrar todas as suas forças de novo. Apesar disso, merece ser assistido para quem gosta desse tipo de humor.

OBS 1: Ao contrário do que se espera de uma série que já começou a temporada com a corda no pescoço, Galavant deixou todos os seus finais abertos (incluindo um flashforward para zuar os dragões de GOT), apostando que um milagre pode cair duas vezes no mesmo lugar.

OBS 2: São poucas as séries que usam os clichês de forma original e tem a capacidade de parar uma daquelas cenas clássicas de reencontro para dar uma multa por excesso de velocidade em um cavalo ou inclui a participação recorrente de um unicórnio que é atraído por virgens de meia-idade (algo que é mais difícil de encontrar do que o próprio animal mitológico). Mais Monty Python impossível.

OBS 3: A série ainda arruma espaço para falar sobre temas sérios, como a democracia e a homossexualidade.

OBS 4: Alan Menken compôs 32 músicas originais para os dez episódios e isso é equivalente a 5 peças completas da Broadway.

OBS 5: Será que usar um exercito de zumbis pode ser uma piada com o renascimento da série?

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