Critica: Deadpool

Um filme feito de fã para fã

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Esse é um mantra que estava precisando ser repetido milhares de vezes, porque metade do acerto de uma adaptação desse tipo é colocá-la nas mãos de quem gosta do material original. A Marvel já aprendeu, a Warner parece ter encontrado uma parte do caminho e só a Fox ainda não tinha entendido que tudo o que alguém como Deadpool precisava era amor pelo personagem, uma história eficaz e muita zoeira.

Tudo bem que o mercenário tagarela precisou passar por muito sufoco, bocas costuradas e cenas divulgadas “aleatoriamente” na internet para finalmente ter um filme de origem que encontrasse o tom perfeito do personagem. Assim, somos apresentados a Wade Wilson, um mercenário de coração mole que é diagnosticado com câncer terminal e decide entrar para um projeto secreto que promete a tão sonhada cura. Claro que essa é só a ponta de um iceberg que ainda mistura as histórias de amor e vingança prometidas na genial divulgação.

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Na minha opinião, o primeiro grande acerto do roteiro de Rhett Reese e Paul Wernick (dupla do brilhante Zumbilândia) é saber como quebrar todos os grandes clichês do gênero, inclusive a clássica – e já saturada – estrutura dos filmes de origem onde o herói descobre seus poderes, testa eles incessantemente e precisa enfrentar um vilão para salvar seus ideais. Deadpool é completamente não-linear, não se importa com o posto superior do super-herói e traz uma dinâmica ágil e muito bem-vinda ao gênero.

O outro grande acerto é, logicamente, o humor completamente absurdo, insano e auto-referente que tem tudo a ver com a essência do personagem no material original e ocupa o seu lugar soberano da cena de abertura até as divertidas cenas pós-créditos. Dentro disso, é incrível perceber que o filme tem piadas que milagrosamente funcionam em todas as situações, mas os melhores momentos ficam com as quebras da quarta parede, as milhares de referências nerds e as tiradas que não perdoam ninguém. E quando eu falo ninguém é ninguém mesmo, porque a zueira passa por Wham!, Liam Neeson, Matrix, a cronologia de X-Men, Hugh Jackman, os orçamentos da Fox e os próprios fracassos de Ryan Reynolds.

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Ele, por sinal, mostra que realmente valeu a pena apostar suas fichas no personagem, apresenta um timing cômico de causar inveja em muito comediantes e se torna facilmente uma das melhores coisas do filme como Wade Wilson e como Deadpool. Entretanto seria um pouco injusto colocar todos os acertos na sua mão, quando a brasileira Morena Baccarin e o americano T.J Miller também possuem muita química com Reynolds e acompanham o ritmo dele com louvor.

Tim Miller, o diretor estreante, também precisou acompanhar esse ritmo insano e se saiu muito bem, considerando que essa é sua estréia na função. É verdade que é um trabalho simples e que sente a falta de uma pegada mais autoral, mas ele acerta em cheio no visual dos personagens, na liberdade cômica dos atores, na mistura entre real e computação gráfica e, principalmente, na utilização da violência, que, apesar de ser muita, não chega a incomodar porque é bem diluída e estilizada por toda a trama.

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Se você precisar muito encontrar algum problema, pode até criticar os vilões (interpretados por Ed Skrein e Gina Carano) que, mesmo razoavelmente carismáticos e funcionais, passam pelos mesmos problemas de desenvolvimento dos outros antagonistas da Marvel nos cinemas. No entanto, seria um pecado gigantesco deixar a diversão de lado para concentrar o seu olhar nesses pequenos detalhes, afinal Deadpool é um típico filme-pipoca que não abre mão de ter um roteiro dinâmico, totalmente hilário e voltado para dar alegria aos fãs de quadrinhos. Um grande acerto da Fox que merece ser assistido por garantir quase duas horas de ação, risadas e zueira infinita.

OBS 1: É muito difícil escolher a minha piada favorita, mas a sacada com a franquia Busca Implacável é simplesmente brilhante.

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