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Crítica: Trumbo – A Lista Negra

O cinema e a política de mãos dadas. Ou nem tanto.

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Trumbo começa com uma batida de jazz e uma conversa sobre cinema logo após uma sessão. Assim acreditamos que o filme será inteiramente sobre o assunto, quando de repente a conversa muda de tom, somos apresentados a lados opostos da política americana da época, que é explicada de forma simples em uma cena entre pai e filha.

James Dalton Trumbo (Bryan Cranston) é um roteirista de Hollywood que, com seu ideal comunista, se recusou a cooperar com o Comitê de Atividades Anti Americanas. Além dele, outros amigos da indústria assim fizeram, acabaram entrando numa Lista Negra e se tornando os 10 de Hollywood.

Assim o primeiro ato é inteiramente político mas recheado de bons diálogos, (algumas frases de Dalton Trumbo ficarão na memória), com o personagem mostrando e defendendo seu lado. Bryan Cranston entrega uma atuação excelente, explosiva e contida, além de usar o roteiro a seu favor, o ator trabalha o gestual, trejeitos, o que torna sua indicação ao Oscar obrigação.

O segundo ato mais arrastado, mas não menos interessante, é dedicado ao cinema, o roteiro de John McNamara (que deveria estar no Oscar) é preciso e recheado de pequenos monólogos para apresentar mais do trabalho de Trumbo como roteirista. Um prato cheio para os amantes de cinema, além de focar na família e amigos do artista.

Nesse momento o restante do elenco aparece com ótimas atuações, com destaques para Louis C.K, que entrega uma excelente atuação fazendo Allen Hird, melhor amigo e maior opositor das frases e atitudes de Trumbo e Michael Stuhlbarg, que faz Edward Robinson, um ator amigo de Trumbo quando convém (ambos podiam ser indicados a melhor ator coadjuvante). Além deles, Hellen Mirren como Hedda Ropper é a melhor imagem de vilã que o filme tem e está excelente (outra indicação a coadjuvante), Diane Lane como Cleo Trumbo, Elle Fanning na fase adulta e Madison Wolfe na infância como Nikki Trumbo, John Goodman como Frank King (que entrega uma cena impagável) entregam atuações competentes.
No terceiro ato, cinema e política se misturam, sem causar confusão. Vemos o melhor do cinema, quando o diretor Jay Roach em uma direção dinâmica, intercala diálogos sobre sobre o assunto com cenas de filmes escritos por Trumbo e premiações. Mas vemos o pior da política (não estou surpreso), que tenta de todas as formas calar a arte e o artista. Trumbo – A Lista Negra acaba, na verdade, se tornando um filme pra quem ama cinema e porque não um pouco de política.
Ps 1: Ressalto o trabalho de maquiagem incrível, o filme começa em 1947 e acaba em 1970 com os atores envelhecendo de fato.
Ps 2: Fique até metade dos créditos, há uma cena incrível do próprio Dalton Trumbo.
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